Outubro 16, 2007 por Gilson Jorge

Nos últimos anos, comer crepe na cidade ficou quase tão fácil quanto
saborear acarajé. Não é fácil lembrar quem foi o pioneiro, mas a moda
que teve como referências iniciais a Touché, na Barra, e a Creperê, em
Itapuã, pipocou pela cidade. Vieram mais tarde o Mariposa, que está
abrindo seu terceiro restaurante no Salvador Shopping e o Sacre 227,
no Rio Vermelho. É um prato barato, fácil de fazer e que com algum
toque especial da casa pode ser vendido por mais de R$ 10 sem que o
cliente reclame.
A mais nova creperia da cidade, Culture Crepe, tem três coisas que a
fazem se destacar em relação aos outros. O primeiro ponto a favor é
justamente o ponto. O cara teve a sorte de ter encontrado um lugar
maravilhoso disponível, o café da Aliança Francesa, que estava fechado
havia alguns meses. Com uma vista para a Baía de Todos os Santos que,
por si, já justifica a visita, a creperia tem uma decoração simples,
mas bacana, e é um dos lugares mais aprazíveis do centro da cidade.
O segundo aspecto é, na verdade, o que mais interessa, claro: o
cardápio. Além dos tradicionais crepes doces e salgados que podem ser
encontrados em qualquer casa do ramo, o francês Ronan Pirou trouxe
para o seu empreendimento receitas que sua família criou há três
gerações na Bretanha. Entre os sabores em destaque, La Printaniere
(com gorgonzola e tomate seco) e Fruits de Mer (com camarão e
mariscos). Os crepes da casa são servidos com sarraceno, uma espécie
variedade de trigo que é usada nas culinárias russa, japonesa e
hebraica com o ingrediente para as papas e que na França virou
matéria-prima para os crepes. Em termos de bebidas, a caipirinha e o
café irlandês são boas opções.
Para completar, Ronan é um cara muito simpático, que está quase sempre
muito bem humorado enquanto atende a clientela. A Aliança Francesa,
com aquele casarão magnífico na Ladeira da Barra e uma vista
estupenda para a baía e a Igreja de Santo Antonio da Barra mereciam um
café e um chef como esses.
Horário: diariamente, das 16h às 22h
Valor médio de um crepe com um drinque: entre R$ 8 e R$ 15
Pagamento: em dinheiroou cheque
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Outubro 16, 2007 por Gilson Jorge

Se o seu último exame de sangue não apontou uma taxa elevada de colesterol, você tem uma ótima razão para provar a tortilha de batatas , ou omelete espanhol, um prato típico daquele país que é feito essencialmente com ovos, azeite de oliva e cebola, além de batatas, óbvio. É um prato de fácil preparação e barato, que pode ser feito em casa em menos de uma hora e meia. O chato só é ter que descascar as batatas…
Ex-professor de galego do Instituto de Letras da Ufba, Marcos Aparício trouxe de Vigo, na Galícia, a sua própria receita de tortilha e decidiu compartilhá-la conosco em uma pequena taberna instalada no Porto da Barra. Além da tradicional, com os quatro ingredientes básicos, Marcos oferece uma variedade de sabores que podem ser misturados à tortilla: atum, presunto e queijo, calabresa, legumes, bacalhau e outros.
Eu recomendaria a tortilha de chorizo galego. Aqueles pedacinhos de carne salgada misturados à massa são de enlouqecer. Mas, como tudo na vida, o que é bom custa caro e esse sabor sai pelo dobro de uma tortilha tradicional. Sem falar que nem sempre se encontra chorizo galego em Salvador. De qualquer forma, vale a pena perguntar. Uma tortilha pequena é suficiente para alimentar uma pessoa com fome. Ou para dois que querem apenas beliscar. Outra dica é pedir sucos, as medidas são generosas. Mas não se preocupe: sai cerveja também.
A Tortillería Galicia é um local simpatico que é conduzido por Marcos, sua namorada e dois funcionários que cuidam da cozinha e do atendimento. A decoração é rústica, com enormes e pesadas mesas e cadeiras de madeira. Tem ainda uma significativa coleção de LPs com música dos anos, 60, 70 e 80. Tem de Gilberto Gil a Françoise Hardy.
Como o lugar é estreito e só tem uma saída, a principal queixa dos clientes é o calor. Tem dias que está de lascar, mesmo com os ventiladores ligados. Na minha última visita à tortilheria, o dono informou que estava providenciando a instalação de ar-condicionado. Tomara que role também um exaustor.
O entorno assusta um pouco, é verdade. Aquele aglomerado de flanelinhas, garotos e garotas de rua, de programa, querendo descolar um troco afasta os soteropolitanos daquela área decadente que tem tudo para ser um lugar divertido. Mas os riscos são menores do que aparentam. Na tortillería, a frequência é variada, embora predominem os gringos hospedados pela região e jovens das redondezas. Uma tortilha pequena custa a partir de R$ 9. A grande, o dobro.
Horário: diariamente, das 18h à meia-noite.
Pagamento: dinheiro.
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